16 de setembro de 2008



A iluminação minimizada pela seda fosca da cortina presa a janela envolvia os corpos nus, que dormiam em uníssono naqueles lençóis cintilantes de suor. De pouco em pouco ela abria os olhos pós-orgasmo como que para ter certeza de que a paisagem continuava igual, era a guardiã daquele amor ensaiado em prosa poética de Anaïs Nin. Ah, se ele soubesse as horas que passava a fitá-lo dormindo, seu peito subindo e descendo, desejando que pulsasse por ela. Verificou o relógio. O êxtase interrompido pelos compromissos do dia-a-dia pesou nas pálpebras. Já era hora, boy. Beijou-o com a boca que na madrugada, agora diluída no céu, passou aberta, gemendo em uníssono e foi-se embora com as pernas cansadas, cambaleantes, querendo ficar.
(foto por Henry Cartier Bresson)

4 comentários:

Anônimo disse...

E esse beijo me pegou de jeito. Abraços meus...

Biani Luna disse...

nossa, essas paixões platônicas me deixam quase em crise. hahaha
lindo.
beijos,

Rosa Aragón disse...

De platônico isso não tem nada! Mal sabem quão real pode ser um bocejo de amor ninfo.

adoro tuas palavras reais.

Paloma Pajarito disse...

Uhul! que boniito ã!